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AIDS
Tudo o que você quria saber sobre a AIDS
Mas nunca se preocupou em se informar, ainda tem a noção errada e babaca de que essa doença só pega nos outros, insiste em transar sem camisinha com quem não conhece, e por conta disso tudo corre o risco de passar o resto dos seus dias numa dieta de coquetel e AZT – imbecil!
O que é AIDS?
A síndrome de imunodeficiência adquirida (AIDS) é a doença infecciosa que mais mata no mundo. Desde que foi reconhecida pelo CDC (sigla em inglês para Centro para o Controle de Doenças), de Atlanta, EUA, em 1981, a AIDS se espalhou rapidamente, sendo considerada uma epidemia mundial já no final da década de 1980. Hoje, de acordo com dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), 40 milhões de pessoas possuem a enfermidade. Do total de infectados, aproximadamente 95% vivem em países em desenvolvimento, sobretudo na África, onde 10% da população está contaminada. No Brasil, já foram notificados mais de 215 mil casos, principalmente nas regiões Sudeste e Sul. A AIDS não tem cura e já matou cerca de 20 milhões de pessoas desde o início da epidemia.
A doença é causada pelo vírus HIV (sigla em inglês para vírus da imunodeficiência humana), que compromete o funcionamento do sistema imunológico, impedindo-o de executar sua tarefa de proteger o organismo contra as agressões externas (por bactérias, outros vírus e parasitas) e contra células cancerígenas. Com o progressivo comprometimento do sistema imunológico, o corpo humano se torna cada vez mais susceptível a tipos raros de cânceres (sarcoma de Kaposi e o linfoma cerebral) e às doenças oportunistas - dessas, a pneumonia provocada pelo protozoário Pneumocystis carinii é a mais comum, detectada em cerca de 57% dos casos. A toxoplasmose, a criptococose e as afecções provocadas por citomegalovírus são outras infecções freqüentemente encontradas nos indivíduos imunodeprimidos.
Como evitar a Aids?
Sexo seguro (preservativo, parceiro único), não compartilhar seringas, evitar transfusões de sangue desnecessárias, e quando necessárias realiza-las em bancos de sangue que garantam a segurança do produto com testes padronizados, realizar os testes que detectam o HIV na gestação (a gestante contaminada que faz o tratamento com as drogas indicadas reduz em até 80% a contaminação vertical, isto é, mãe-feto).
Quais são os tipos de vírus HIV existentes?
O HIV sofreu algumas modificações genéticas, desde que passou do macaco para o homem, formando diferentes subtipos de vírus. O HIV1 é o causador da epidemia mundial de AIDS e pode ser dividido em três grupos: M, O e N. O grupo M é o mais abundante no mundo e evoluiu geneticamente para formar subtipos que vão de A a J. No Brasil, encontramos o subtipo B como predominante (80% das infecções), seguidos dos subtipos F e C (com maior prevalência na região Sul do Brasil). O HIV2 foi encontrado na África Subsaariana, região onde a doença evolui mais rapidamente.
Quais as formas de contaminação?
Relação sexual desprotegida, uso de seringas por mais de uma pessoa (normalmente usuários de drogas injetáveis), transfusão de sangue não testado e, por fim, a transmissão da mãe para o feto durante a gestação. Existem outras formas mais raras, como nos acidentes cirúrgicos em que o profissional de saúde se contamina com o sangue do paciente.
Somente no sangue, esperma, secreção vaginal e leite materno o vírus da AIDS aparece em quantidade suficiente para causar a moléstia. Para haver a transmissão, o líquido contaminado de uma pessoa tem que penetrar no organismo de outra. Isso pode acontecer durante a relação sexual, ao se compartilhar seringas, agulhas e objetos cortantes infectados, na transfusão de sangue contaminado, no momento do parto e até durante a amamentação.
Como saber se uma pessoa está com AIDS?
Para saber se a pessoa é portadora do vírus da AIDS, deve-se fazer um exame de sangue e observar se há a presença de anticorpos produzidos pelo doente para combater o vírus HIV. Esse teste se chama diagnóstico sorológico e apresenta resultado positivo quando esses anticorpos são detectados, por isso que o indivíduo portador de HIV também é chamado de soropositivo. Existe um intervalo de tempo entre a contaminação e o aparecimento de anticorpos no sangue, chamado de janela imunológica, que dura em média de duas a três semanas, podendo se estender raramente até seis meses.
O que é janela imunológica?
É o período que a pessoa demora para desenvolver os anticorpos Anti-HIV. Este período é de até 6 meses após o contágio, e neste tempo o exame para saber se a pessoa teve contato e está infectada poderá dar negativo.
Quais são os sintomas da AIDS, e quanto tempo leva para eles aparecerem?
Geralmente, depois de a pessoa ser contaminada pelo HIV, há um período de incubação prolongado até que os sintomas da doença apareçam. Esse tempo, depende da reação orgânica individual da pessoa e também do tipo de vírus com o qual ela foi contaminada. De acordo com as estatísticas, mais da metade dos soropositivos apresenta os sintomas da AIDS após oito anos de infecção. Os primeiros fenômenos observáveis são fraqueza, febre, emagrecimento, diarréia prolongada sem causa aparente. Na criança que nasce infectada, os efeitos mais comuns são problemas nos pulmões, diarréia e dificuldades no desenvolvimento.
Como andam os tratamentos para a Aids hoje?
Atualmente, existem alguns remédios eficazes no combate às doenças oportunistas. No entanto, eles não conseguem eliminar o HIV do organismo. Diversos medicamentos já são amplamente utilizados no tratamento da AIDS com resultados excelentes tanto na sobrevida como na qualidade de vida, como os anti-retrovirais - que impedem a multiplicação do vírus e fazem parte do coquetel anti-AIDS. Alguns exemplos são o zidovudina (AZT), o didanosina (ddl), o abacavir (ABC) e o lamivudina (3TC) e os mais recentes que impedem a ação da enzima protease (inibidores de protease).
No Brasil, o programa de combate à AIDS fornece os medicamentos gratuitamente para os imunodeprimidos.
Pode haver transmissão por beijo, aperto de mão ou abraço?
Não se tem conhecimento de transmissão pelo beijo. O contato social como o aperto de mão e o abraço, bem como o uso de copos, talheres ou outros objetos, definitivamente não transmitem o HIV.
Qual o risco de contaminação no sexo oral?
É menor que no sexo genital, que por sua vez é menor que no sexo anal. Porém, é recomendado que também seja praticado com proteção, isto é, o homem deve usar preservativo, e o ideal seria que a mulher também usasse algum tipo de proteção para evitar o contato direto das secreções vaginais com a mucosa oral do parceiro. Quando a mulher pratica o sexo oral no homem ("felatio"), este deverá evitar ejacular na boca da mulher. Ingerir esperma é uma prática de risco para algumas DST, entre elas a AIDS.
Sexo sem penetração tem risco?
Nunca poderemos falar em risco ausente, porém ele será muito baixo, já que não acontecendo a ejaculação na mucosa vaginal ou anal não haverá contato do esperma (que é o veículo de transporte do vírus) com as "portas de entrada" que podem estar presentes como pequenos ferimentos, fissuras e "feridas" no colo uterino.
As propagandas contra a AIDS na TV e meios de comunicação são de alguma valia?
Muitas pessoas que vivem com HIV/AIDS sentem-se agredidas por mensagens na televisão, revistas, campanhas. Alertamos que o papel da sociedade em geral é estar atenta aos riscos e, principalmente, bem informada sobre os meios de prevenção da doença. Nunca rejeitar o convívio (íntimo e social) com os doentes de AIDS.
Não podemos, também, abordar única e exclusivamente a responsabilidade do homem no uso da camisinha. As mulheres não devem ser tratadas como uma população incapaz de adotar medidas de sexo seguro. Não se pode ignorar a capacidade, a autonomia e o direito das mulheres de negociar o uso da camisinha com o parceiro ou de elas mesmas usarem o preservativo feminino, já disponível na rede pública de saúde.
ESTATÍSTICAS DA AIDS
NO MUNDO
5 milhões de pessoas foram infectadas em 2003
3 milhões de pessoas morreram neste ano. Cerca de 300.000 a mais que 2002.
40 milhões de pessoas no mundo vivem com HIV. Do total, 2,5 milhões são crianças.
14.000 pessoas são infectadas por dia. Do total, 2.000 são crianças com menos de quinze anos.
26,6 milhões de pessoas são portadores do HIV na África. Uma pessoa entre cinco vive com a doença.
40% dos adultos em Botsuana e na Suazilândia estão contaminados.
30% de todas as pessoas que são vítimas da Aids no mundo estão na região sul da África.
5,3 milhões de pessoas vivem com HIV na África do Sul, mais do que qualquer outro país no mundo.
4,7 bilhões de dólares foi o investimento global contra a epidemia neste ano. Para fazer frente ao avanço da doença, a ONU estima que, em 2005, será preciso investir 10 bilhões de dólares.
Uma nova onda da epidemia ameaça China, Índia, Indonésia e Rússia, todos países com populações gigantescas, segundo a ONU. Também o Leste Europeu vem sendo afetado.
O caso da Rússia é emblemático: de 1996 a 2002, o número de notificações saltou 1.300%.
A América Latina e Caribe têm o mais alto número de vítimas fatais em escala regional, depois da África Subsaariana e da Ásia.
NO BRASIL
Em setembro de 2003, o Brasil acumulava um total de 277.141 casos de Aids registrados desde o início da epidemia no país, em 1980. Desse total, 70% são homens (197.340).
Houve em 2003 o registro de 19.373 novos casos nos últimos nove meses - sendo 5.762 deste ano e 13.611 relativos a 2002.
Proporcionalmente, o avanço da Aids tem sido maior entre heterossexuais homens. A incidência de Aids entre heterossexuais masculinos supera 65% das notificações.
Houve redução dos casos devido à transmissão por uso de drogas injetáveis e a manutenção dos números em relação à transmissão homossexual, em todas as regiões. Dos casos de Aids em homens por transmissão sexual, cerca de 60% são entre heterossexuais. Já entre as mulheres, as transmissões por relações sexuais passam de 90% das notificações.
Há queda em quase um terço dos casos por transmissão vertical (de mãe para filho) devido o aumento da cobertura do teste do HIV e do tratamento das gestantes.
A epidemia mantém-se estável na região Sudeste (21 casos para cada 100.000 habitantes) e na região Centro-Oeste (12 casos para cada 100.000 habitantes). As regiões Sul, Norte e Nordeste ainda apresentam tendência de crescimento, embora as taxas já sejam menores do que as observadas antes de 2000.
Houve redução em torno de 30% entre 1997 e 2001 dos casos de transmissão vertical (da mãe para o filho) do HIV; e uma virtual eliminação da transmissão por transfusões de sangue.
Em relação às mulheres, a principal forma de transmissão do vírus continua sendo a relação sexual.
As mortes ocasionadas pela Aids desde 1980 no país chegam a 138.000.
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